Saturday, July 08, 2006

 

Janeiro 26, 2000

Linda, maluquete e muito talentosa



Em O Colecionador de Ossos (The Bone Collector, Estados Unidos, 1999), que estréia nesta sexta-feira em circuito nacional, a atriz Angelina Jolie protagoniza uma cena erótica incomum: acaricia, sem pressa, um dos dedos da mão de Denzel Washington, que, adormecido, nem se dá conta do que está acontecendo. Ele é um policial que ficou tetraplégico, e o dedo escolhido por Angelina para o ritual de sedução é a única parte de seu corpo que está completamente viva. Fossem quaisquer outros os protagonistas, a cena descambaria para o mau gosto. Mas Angelina e Washington são ótimos atores. E são também lindos. Juntos, compõem a única boa razão para assistir a O Colecionador de Ossos, um suspense apenas eficiente, repleto de atmosfera e de clichês, sobre a caça a um assassino serial. Dizer que Denzel Washington costuma ser melhor do que seus filmes não é novidade. E também já não é muito original elogiar Angelina. Aos 24 anos, ela vem colecionando elogios e prêmios. Como os Globo de Ouro pela minissérie George Wallace e pelo filme produzido para a TV Gia, que conta a história da modelo Gia Carangi, morta em 1986 em decorrência da Aids. Provocadora, Angelina deu a entender que se identificava um bocado com a personagem. Não só na rebeldia, mas também no ecletismo de suas preferências sexuais. Desde que se separou do ator inglês Jonny Lee Miller, porém, ela anda sem namorado (ou namorada). Dedica mais tempo a sua coleção de facas, a freqüentar espetáculos de sadomasoquismo e a discorrer sobre suas tatuagens para repórteres babões. Uma delas, vizinha à marca do biquíni, traz os dizeres: "Quod me nutrit me destruit" ? ou "Aquilo que me nutre me destrói". Apesar da pose de maluquinha, Angelina leva o trabalho a sério. Ofuscou os festejados Sean Connery e Gena Rowlands no drama Corações Apaixonados e pode levar seu terceiro Globo de Ouro neste domingo, pela atuação como uma psicopata em Garota, Interrompida. Pelo mesmo filme, está cotada para ganhar uma indicação ao Oscar de atriz coadjuvante deste ano. Além do talento (por enquanto ainda mais instintivo que domado pela técnica), Angelina tem uma sensualidade incendiária. Alta e magra, com curvas estrategicamente distribuídas, ela faz a marmanjada suspirar sobretudo por causa dos lábios carnudos ? do tipo que Melanie Griffith gostaria de ter naturalmente, o que a livraria das periódicas aplicações de silicone na boca. Assim como o temperamento forte, os lábios voluptuosos são herança do pai, Jon Voight, astro de filmes primorosos como Perdidos na Noite e, mais recentemente, de idiotices como Anaconda. Espera-se, portanto, que o pendor para entrar em barcas furadas não seja igualmente transmitido por hereditariedade. Se escapar desse gene, Angelina terá uma bela carreira pela frente.

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