Saturday, July 08, 2006

 

Abril 07, 2000

Jolie vem mostrar porque levou o Oscar



A inconsistência de Garota, Interrompida não é culpa da protagonista Winona Ryder. Pelo menos não integralmente. Depois de batalhar durante anos para levar as memórias da escritora Susanna Kaysen às telas, a atriz apresenta um retrato convincente da jovem confusa em meio à loucura dos anos 60. Só que a atuação, por melhor que seja, não encobre o fato de a trajetória da escritora não ser interessante o bastante para segurar um longa-metragem. Passada a primeira hora de projeção, depois que a jovem insegura se interna em um manicômio cedendo a pressões familiares, a história se arrasta. O filme, que estréia hoje, ultrapassa desnecessariamenta a marca das duas horas. A apatia de Susanna pela vida, assim como sua natureza ambivalente (esta é, aliás, sua palavra favorita), jogam um balde de água fria no espectador, obrigando-o a acompanhar a novela de personagem que não sabe dizer a que veio. Sociopata radiante Não é à toa que a melhor cena do filme se dá quando uma enfermeira (vivida por Whoopi Goldberg) sacode a jovem, oferecendo-lhe o seu diagnóstico em tom de desabafo: "Você não passa de uma garotinha preguiçosa e comodista que está se deixando enlouquecer''. A platéia agradece, já que desde o início a trama deixa claro que Susanna não é louca. Apenas tem dificuldade para entender o mundo lá fora - o que a levou tentar o suicídio exagerando nos comprimidos. Não fosse por Lisa (Angelina Jolie) praticamente nada aconteceria no filme, dirigido por James Mangold (de Cop Land). Vendida no roteiro como uma sociopata, Lisa, outra interna do hospital psiquiátrico, seduz a todos com o jeito irreverente e determinado. Só mais tarde é que Susanna se dá conta de que Lisa usa uma máscara para esconder antigas mágoas. Angelina Jolie está mesmo radiante no papel, que lhe garantiu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante. Mas sua personagem cresce em função da incapacidade da protagonista em criar empatia com o público. Se a indecisa Susanna tivesse o mesmo destino de Jack Nicholson em Um Estranho no Ninho - as comparações com a produção de 1975 são inevitáveis -, certamente ninguém se importaria em ver a garota lobotomizada. Nicholson também não era louco, apesar de estar trancado em manicômio. Mas a natureza excêntrica e inconformada de seu personagem valia cada minuto diante da tela.

Comments: Post a Comment



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?